sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O'Neill



Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas

Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes.


Alexandre O'Neill

(1924-1986)

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